Quarta-feira, 01 de Abril de 2020
 
Ex.: vendedor, balconista e etc.
 
Mulheres da Paz mudam o cenário na Cohab e Santa Rita
Foto: Evidência Recursos Humanos

Desde o início do ano os moradores dos bairros Cohab e Santa Rita contam com o projeto “Mulheres da Paz” que está fazendo uma verdadeira revolução no âmbito social dos moradores dos bairros mais populosos da cidade. O trabalho, na verdade, iniciou no ano passado com os trâmites de solicitação pela Prefeitura, aprovação do projeto, instalação, seleção de mulheres, curso de capacitação, entre outras fases, até chegar à execução. Sempre otimista com todos os seus projetos, a Secretária de Assistência Social, Luciana Kubiaki, demonstra satisfação pelo trabalho e resultados obtidos. Conforme dados informados pela equipe da Evidência Recursos Humanos, até abril deste ano foram atendidas 5.284 pessoas. Os moradores são orientados a buscar direitos e atendimentos que, muitas vezes, não sabem que possuem ou desconhecem o caminho.

São 64 mulheres, uniformizadas com camisetas e moletons, que visitam as residências, inteirando-se sobre os problemas e encaminhando-as para o endereço central, onde funciona também o “Protejo”, outro projeto. De acordo com cada necessidade, a pessoa pode ser atendida por um psicólogo, advogado, assistente social, sociólogo e pedagogo. O profissional, através do seu conhecimento, encaminhará o requerente ao órgão público e este dará andamento ao processo necessário. As mediadoras têm metas a cumprir como realizar 12 visitas por mês, levando os resultados coletados para os coordenadores. “Elas têm liberdade para o trabalho”, assegura o coordenador geral, Marcio Bilhalva Laguna.

 

 

O que é o “Mulheres da Paz”?

 

O “Mulheres da Paz” é um dos projetos que compõem o Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci), instituído pelo Ministério da Justiça. O projeto surgiu para estimular práticas socioculturais, além de construir e fortalecer redes de prevenção à violência doméstica e  enfrentamento da realidade local, que envolvam jovens e mulheres. São mulheres da própria comunidade capacitadas em temas como gênero e direitos, cidadania, violências, fatores de risco, prevenção de drogadição. O Governo Federal anunciou investir R$ 6,707 bilhões nesse programa até o final deste ano. Guaíba é uma das 11 cidades das 467 do Estado que têm o projeto, graças à iniciativa da Secretaria de Assistência Social.

 

 

Emoção nas visitas

 

No final da tarde de quarta-feira, 23, a Reportagem do Jornal O Guaíba acompanhou visita a uma residência. A principal dificuldade é conseguir localizar um endereço no bairro Cohab, formado por blocos que foram sendo adaptados e reformados ao longo dos tempos. “É assim mesmo”, define a mediadora Simone Louzada Bertoni. A coleta de informações e o preenchimento da ficha demoraram 15 minutos, mas o cadastramento foi somente para a mãe e filho, que moram no piso superior. No primeiro pavimento residem dois irmãos sendo independente do andar de cima, então, devem ser listados com outro formulário. A mediadora informou-se dos principais dados e das necessidades da mãe, encaminhando-a para o Posto Central, onde será atendida por um profissional. A mulher necessitava de atendimento jurídico e participação em programa assistencial. A visita foi considerada rápida, mas em famílias com mais integrantes demora bem mais. “Esses dados coletados formam uma foto social do bairro”, considera Marcio Bilhalva. A mediadora Simone revela satisfação com o trabalho desenvolvido. Relata ser gratificante ir à casa das pessoas e poder contribuir para amenizar os problemas de cada um. Um dos momentos mais marcantes para ela foi ter reencontrado uma ex-professora. “Me emocionou muito”, disse, pois pôde colaborar com alguém que foi importante em sua formação.

 

 

Violência Doméstica

 

Os bairros Cohab e Santa Rita têm cerca de 35 mil habitantes e a grandiosidade populacional reflete as questões que imperam em extensos núcleos habitacionais. Comprovando a afirmação feita pelos órgãos de segurança, é a violência doméstica e a drogadição que atingem muitas famílias. Neste momento entra o trabalho das Mulheres da Paz que, ao detectarem o problema, orientam a pessoas como melhor proceder.

Outras questões são analisadas: alguns moradores necessitam documentos de identidade, encaminhar pensão alimentícia, assistência social e até serem encaminhados para programas do Governo Federal como o Bolsa-Família. O sociólogo do programa, Leonardo Furtado, analisa que a dimensão das deficiências é amenizada através dessas orientações e, por mais que não resolva a questão da violência em sua totalidade, a iniciativa atende uma boa parcela da comunidade. “É um passo muito importante, em busca de novos valores e desenvolvimento da cultura da paz,” defende. O projeto iniciou com oito salas em um prédio alugado na avenida Lupicínio Rodrigues, bairro Cohab. “A proprietária inclusive instalou um elevador para acessibilidade”, informou o coordenador Marcio Bilhalva. Os bens permanentes (móveis, utensílios e maquinário) pertencem à Prefeitura, pois o projeto tem duração de um ano. Hoje uma sala é suficiente para uma reunião mensal com toda a equipe. Nas outras salas funciona outro projeto: o “Protejo”. Desde o início, a empresa Evidência Recursos Humanos participa da organização, pois foi a vencedora da licitação pública prevista no programa. A empresa executa o projeto, administra as ações e as relações de trabalho, bem como a remuneração específica a cada atividade.

11/06/2012
Fonte: Jornal O Guaíba